Octacílio
Alecrim nasceu em Macaíba, estado do Rio Grande do Norte, a 11 de Novembro de 1906 e faleceu a 02 de
setembro de 1968,no Rio de Janeiro, aos 62(sessenta) e dois anos.
Era filho de Ana pulcheria de melo Alecrim e Prudente Gabriel da Costa Alecrim,
coronel da guarda nacional, fazendeiro e comerciante próspero, com prensa de
algodão e armazém de vinhos cereais e ferragens nas prateleiras. Era um homem
desenhado em traços fortes, co incursões na política, por presidiu o Conselho
Municipal de Macaíba. E presidencialista convicto, com declarada admiração por
Campos Sales. De hábitos finos, bem tralhado no seu brim agaota e
chapéu-do-chile nos dias de semana, do fraque, casaca, cruazé e cartola nas
festas solenes da Cidade.Tinha de gado, algodão, feijão e milho; e sitio para o
lazer da familia, com fruteiras e banho de açude nas manhãs de domingo.
Octacilio Alecrim é uma figura mítica: conhecida - por uma pequena minoria que
e interessa por literatura como sendo um dos intelectuais mais
inteligente e eruditos nascidos em nosso Estado ,pouco se saber, no entanto, a
respeito de sua biografia e dos livros que escreveu. Saber-se apenas que ele tornou
conhecido nacionalmente pelos estudos precursores sobre o romancista francês
Marcel Proust. Demonstrou profundo conhecimento de " À la recherche du
temps perdu" num momento que seu autor ainda não fora, entre nós, objeto
de consagração universal dos meios acadêmicos, não recebera ainda unânime unção
da critica chamada "judicante" que servia de orientação ao gosto dos
leitores ais exigentes, nem fora, ainda, considerado digno grandes
investimentos editorias. Lembre-se que a " Provincia Submensa"- um titulo visivelmente
proustino - foi publicado pelo proust-clube Brasil em 1957, o que evidencia o
quanto Octacilio Alecrim era valorizado por esse movimento de culto à
imagem litérária e à obra de Proust.
Da mãe, pianista, leitora de romances e mulher de prendas domésticas nas
boas artes o lar, herdou a fidalguia ;e
do pai, o pedor pra letras.E Octacilio quem descreve a estante de livros,
gêneses das suas sensibilidade inteletuais,modelando,no silêncio do casarão da
infância, o grande eleitor do futuro:
"Recordo-me bem de que,no seu armário, estilo antigo, havia obras
traduzidas de Camilo Flamarion e Júlio Verne, a Biblia Sagrada, uma tradução
portuguesa om notas de Delaunay; o Chernoviz; A história do Rio Grande do
Norte, de Rocha Pombo; o Lunário Perpétuo ;coleções dos almanaques Garnier e
Bertrand; livros de Tavares de lira e Tobias Monteiro, eminentes historiadores
coestaduanos dos quais era amigo afeiçoado, opúsculos de Henrique Castriciano
de Souza e Eloy de Souza;Pela educação Nacional de josé Augusto; brochuras de
Ruy na campanha civilista; publicações sobre agricultura; o dicionário
ilustrado de simões Fonseca,coleções encardenadas Eugene Sue, e muitos fascículos de Michel
Zevaco, Sherlok Holmes e Nick Carter, gênero este (lição de mistério) que
muito apreciava.
Dessa mesma pequena prateleira doméstica, alecrim recebeu os primeiros
sinais da grande literatura- o monge de cister, de Eurico; o bobo e as lendas
narrativas, de Herculano; viagens na minha terra, de Almeid Garrett; a retirada da laguna, de Taunay;; A
esfinge de Afrânio Peixoto; Canãa, de Graça Aranha, miragem, rei negro e
inverno em flor, de Coelho Neto; poesias de Olavo Bilac e Sertões, de Euclides
Cunha; Além de livros em francês e uma coleção com ilustrações coloridas que o
levaram a conhecer, em viagens mágicas, o Japão de Oliveira
Ao descrever a casa da infância - uma casa de gradil, na Rua da Conceição, padroeira
da Cidade de Macaíba, com suas quatros janelas abertas para a nascente - é como
se o homem Octacilio Alecrim reconstruísse too seu quando perdido. Mas, ainda
iluminado, proustiamente, pelo sóbrio lustre de bronze sob o teto de madeira da
ampla sala de visitas, com suas cadeiras palhinha, o chão aveludado, forrado
por um tapete persa; o piano,os consolos jacarandá e mármore onde descansava os
tulipeiros; os quadros e os indispensáveis
retratos de familia com o olhar patriarcal e austero de um comendador. Teve uma
infância cheia de brinquedos de feira – berimbau ,cavalinhos de barro, bodoque,
calungas e papelão e pistola de taboca .Mas, de tudo restou para sempre no
sótão da alma do menino, um cão felpudo, de brinquedo, com qual dormia, ouvindo
uns versos que dia reencontrou no roseira brava, de Palmyra Wanderley.
MANOEL MAURICIO FREIRE DE MACEDO - PESQUISADOR