JORNALISTA, ENSAISTA, BACHAREL EM DIREITO. PATRONO DE ESCOLA ESTADUAL EM MACAÍBA E PATRONO DA CADEIRA 24 DA ACADEMIA MACAIBENSE DE LETRAS

sábado, 2 de outubro de 2021

OCTACÍLIO ALECRIM

 


Ele foi um proustiano em um tempo que poucos falavam na recherche (célebre obra proustiana, “Em busca do tempo perdido”). Um grande leitor e advogado. Nascido de pais prósperos e de um lar bem constituído. Pode, então, lembrar com saudades dos velhos costumes da infância em Macaíba onde ele nasceu no dia 11 de Novembro de 1906. Filho do coronel da guarda nacional Prudente Gabriel da Costa Alecrim e da senhora Anna Pulchéria Pessoa de Mello Alecrim

Faleceu no Rio de Janeiro-RJ, no dia 2 de setembro de 1968

FONTE - INTERNET

OCTACÍLIO ALECRIM

 

 


 Octacílio Alecrim nasceu em Macaíba, estado do Rio Grande do Norte,  a 11 de Novembro de 1906 e faleceu a 02 de setembro de 1968,no Rio de Janeiro, aos 62(sessenta) e dois anos.

           Era filho de Ana pulcheria de melo Alecrim e Prudente Gabriel da Costa Alecrim, coronel da guarda nacional, fazendeiro e comerciante próspero, com prensa de algodão e armazém de vinhos cereais e ferragens nas prateleiras. Era um homem desenhado em traços fortes, co incursões na política, por presidiu o Conselho Municipal de Macaíba. E presidencialista convicto, com declarada admiração por Campos Sales. De hábitos finos, bem tralhado no seu brim agaota e chapéu-do-chile nos dias de semana, do fraque, casaca, cruazé e cartola nas festas solenes da Cidade.Tinha de gado, algodão, feijão e milho; e sitio para o lazer da familia, com fruteiras e banho de açude nas manhãs de domingo.

            Octacilio Alecrim é uma figura mítica: conhecida - por uma pequena minoria que e interessa por literatura como sendo um dos intelectuais  mais inteligente e eruditos nascidos em nosso Estado ,pouco se saber, no entanto, a respeito de sua biografia e dos livros que escreveu. Saber-se apenas que ele tornou conhecido nacionalmente pelos estudos precursores sobre o romancista francês Marcel Proust. Demonstrou profundo conhecimento de " À la recherche du temps perdu" num momento que seu autor ainda não fora, entre nós, objeto de consagração universal dos meios acadêmicos, não recebera ainda unânime unção da critica chamada "judicante" que servia de orientação ao gosto dos leitores  ais exigentes, nem fora, ainda, considerado digno grandes investimentos editorias. Lembre-se que a " Provincia  Submensa"- um titulo visivelmente  proustino - foi publicado pelo proust-clube Brasil em 1957, o que evidencia o quanto Octacilio Alecrim era valorizado por esse movimento de culto  à imagem litérária e à obra de Proust.

 

            Da mãe, pianista, leitora de romances e mulher de prendas domésticas nas boas artes o lar,  herdou a fidalguia ;e do pai, o pedor pra letras.E Octacilio  quem descreve a estante de livros, gêneses das suas sensibilidade inteletuais,modelando,no silêncio do casarão da infância, o grande eleitor do futuro:

           "Recordo-me bem de que,no seu armário, estilo antigo, havia obras traduzidas de Camilo Flamarion e Júlio Verne, a Biblia Sagrada, uma tradução portuguesa om notas de Delaunay; o Chernoviz; A história do Rio Grande do Norte, de Rocha Pombo; o Lunário Perpétuo ;coleções dos almanaques Garnier e Bertrand; livros de Tavares de lira e Tobias Monteiro, eminentes historiadores coestaduanos dos quais era amigo afeiçoado, opúsculos de Henrique Castriciano de Souza e Eloy de Souza;Pela educação Nacional de josé Augusto; brochuras de Ruy na campanha civilista; publicações sobre agricultura; o dicionário ilustrado de simões Fonseca,coleções encardenadas  Eugene Sue, e muitos fascículos de Michel Zevaco, Sherlok Holmes e Nick  Carter, gênero este (lição de mistério) que muito apreciava.

 

             Dessa mesma pequena prateleira doméstica, alecrim recebeu os primeiros sinais da grande literatura- o monge de cister, de Eurico; o bobo e as lendas narrativas, de Herculano; viagens na minha terra, de Almeid  Garrett; a retirada da laguna, de Taunay;; A esfinge de Afrânio Peixoto; Canãa, de Graça Aranha, miragem, rei negro e inverno em flor, de Coelho Neto; poesias de Olavo Bilac e Sertões, de Euclides Cunha; Além de livros em francês e uma coleção com ilustrações coloridas que o levaram a conhecer, em viagens mágicas, o Japão de Oliveira

               Ao descrever a casa da infância - uma casa de gradil, na Rua da Conceição, padroeira da Cidade de Macaíba, com suas quatros janelas abertas para a nascente - é como se o homem Octacilio Alecrim reconstruísse too seu quando perdido. Mas, ainda iluminado, proustiamente, pelo sóbrio lustre de bronze sob o teto de madeira da ampla sala de visitas, com suas cadeiras palhinha, o chão aveludado, forrado por um tapete persa; o piano,os consolos jacarandá e mármore onde descansava os tulipeiros;  os quadros e os indispensáveis retratos de familia com o olhar patriarcal e austero de um comendador. Teve uma infância cheia de brinquedos de feira – berimbau ,cavalinhos de barro, bodoque, calungas e papelão e pistola de taboca .Mas, de tudo restou para sempre no sótão da alma do menino, um cão felpudo, de brinquedo, com  qual dormia, ouvindo uns versos que dia reencontrou no roseira brava, de Palmyra Wanderley.
                                   
MANOEL MAURICIO FREIRE DE MACEDO - PESQUISADOR

OCTACÍLIO ALECRIM

  Ele foi um proustiano em um tempo que poucos falavam na recherche (célebre obra proustiana, “Em busca do tempo perdido”). Um grande leitor...